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| Parque Nacional da Cameia, Moxico |
Mas onde estão os filhos de angola, se os não ouço cantar e exaltar tanta beleza e tanta tristeza tanta dor e tanta ânsia desta terra e desta gente? (Maurício de Almeida Gomes)
domingo, 4 de maio de 2014
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5/04/2014 07:30:00 da manhã
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
Terceiro Mundo
flancos rostos desnudados de seu dia
nossa casa de continente
retorno geográfico restam
smith(s) vorter(s)
no gemido de liberdade
mas o arco de estrelas
sobre os punhos-ghettos
está na véspera desalgemado
grito total
das áfricas
Jorge Macedo
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5/02/2014 07:42:00 da manhã
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Jorge Macedo
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Em breve
em breve
um estranho baterá à nossa porta.
não lhe recusemos a entrada...
ele nos trará o pão e a paz
e nos dará de beber água clara.
as suas mãos
serão frescas, leves e brandas...
em breve
um estranho baterá à nossa porta
e nós lhe morderemos a mão
que nos acarinhará!
não lhe recusemos a entrada...
Tomaz Kim
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4/30/2014 07:47:00 da manhã
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Tomaz Kim
segunda-feira, 28 de abril de 2014
O aprendiz de kimbanda
reza após reza, i. é.
verso após verso
eu
insisto
e trabalho de noite
que é quando
a concentração logra
um misticismo mais
profundo
e utilizo de tudo
para fabricar as palavras:
homens pedras ervas
animais
depois saio, afivelando
a minha horrenda máscara
de makixe
e gritando os meus
espantos medonhos:
medo sangue raiva morte
João Melo
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4/28/2014 07:41:00 da manhã
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João Melo
domingo, 27 de abril de 2014
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4/27/2014 07:43:00 da manhã
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sexta-feira, 25 de abril de 2014
Poemas para um tocador de quissanje
III
... e vinham
das distâncias
eram das terras da lunda
e os regressados das ilhas
e as crianças que não iam
muito p'ra além dos luandos
e das portas
e eram velhas
cachimbando
junto às fogueiras
sem lenha
e vinham todos...
alongava-se na noite
canto de escravos passados
vozes de contratados
o teu quissanje dolente...
IV
... a velhas já não choravam
filhos perdidos no mar
e as crianças não choravam
a fome dos ventres grávidos
e as mulheres já não choravam
homens levados de noite
em cargas silenciosas...
e as lavras já não choravam
e as estradas
e os mares
suor dos ombros cansados
já não choravam
já não choravam
já não choravam
calavam.
V
havia conchas de mar
múcuas e pitangueiras
falas de gentes quiocas
vozes de terras ganguelas
gritos de homens cuanhamas
o amor de jovens luenas
e lendas de mucubais
inconformadas presenças
pairando em cada silêncio
em cada vagem que seca
como promessas de pão feitas fome
na realidade diária
havia
havia
havia
humanidades de espera
como promessas de pão.
Costa Andrade
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4/25/2014 07:28:00 da manhã
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Costa Andrade
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Biografia da guerra
naquele tempo
o céu vestia ainda os tons do arrebol
a paz era apenas
um cântico no bico das andorinhas
e na limpidez dos dias, a guerra
não tinha vez
mas
os vampiros chegaram troando na noite
com sua fome gritada de sangue
então a lua nasceu bem vermelha
marcando o compasso de todos os naufrágios
e impiedosa a violência cresceu
atiçando o braço dos homens
... ASSIM ACONTECEU A GUERRA!
Jofre Rocha
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4/21/2014 07:36:00 da manhã
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Jofre Rocha
domingo, 20 de abril de 2014
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4/20/2014 07:50:00 da manhã
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sexta-feira, 18 de abril de 2014
Marimba
à memória do cego da Baixa
Dedicados a Óscar Ribas
marimba tocada
por dedos tão dextros
marimba que vibra
que chora e não fala
que lembra o lamento
da hiena na selva
e o grito selvagem
do negro no quimbo.
marimba saudosa
nos dedos do cego
pedindo uma esmola,
de roupa estragada
já velho e sem dentes,
marimba do canto
da paz e da guerra
que lembra o passado
dos olhos a verem,
da mão que não treme
da fala serena...
marimba que recorda o passado
e vive o presente
deixa a saudade no tempo futuro!
e os dedos tão dextros
tão cheios de calos
nas mãos que a correm
marimba não fala
o homem não vê!
mas marimba recorda
os tempos passados...
os tempos passados...
marimba recorda
e o pobre ceguinho
tocando a marimba
chora com ela
e recorda também
o tempo passado...
chorando, também
eu tenho saudades
do pobre ceguinho
tocando a marimba
os olhos sem vida
a voz sem expressão...
recordo... recordo... e choro com ele
nas horas amargas
marimba não fala
mas faz recordar.
Ruy Burity da Silva
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4/18/2014 07:31:00 da manhã
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Ruy Burity da Silva
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Marasmo
na barca desta dor
ando embarcada...
senhora do navio,
da jornada,
e de quantos passaportes desejei,
só recebi no cais,
por lei da altura,
a bênção do desprezo e da aventura!
nossa senhora da loucura
é quem me guia...
e em cada dia passado,
esperei sentada na proa,
um sinal da sua graça...
pelas margens me acenaram
os portos da redenção...
pelos cabelos da noite,
as sereias entoaram
gemendo, a sua canção...
meus ouvidos, surdos foram...
a todos disse que não...
que nesta rota
de um dia,
é só nossa senhora da loucura
que me guia...
mas vai o tempo passando...
nem sinal da sua mão...
baloiça um vento perdido,
o meu navio esquecido,
nem sombra do seu aceno!...
ó senhora da loucura!
é tão triste o vento ameno...
ó senhora da loucura
rogai pelo meu navio
se cansado se atormenta
nesta rota sem desvio...
mandai-nos um temporal,
um rochedo,
uma desgraça,
qualquer coisa que desfaça
esta serena agonia...
ó senhora da loucura,
rogai por mim,
que me afundo
neste mar de calmaria...
não foi por ele que parti,
sem saber de sul nem norte,
quando apenas recebi
no cais,
e por lei da altura,
a bênção salgada e forte,
do desprezo e da aventura!...
Alda Lara
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4/16/2014 07:24:00 da manhã
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Alda Lara
segunda-feira, 14 de abril de 2014
O tronco da incerteza
caminhos perdidos.
festas espirituais
decepcionantes.
não é a barrela que falta.
nem sequer a lavagem.
nem sequer as varridelas.
promessas feitas -
isto não é suficiente
para olhar
os caminhos perdidos.
João Maimona
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4/14/2014 07:38:00 da manhã
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João Maimona
domingo, 13 de abril de 2014
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4/13/2014 07:54:00 da manhã
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
Eco
os gritos da mãe
correndo com o filho morto para a morgue
... e o espaço vazio das ruas
os gemidos da mãe
correndo para a morgue
... na agonia da tarde
o vulto carregado da mãe
... e a certeza fria da noite
Arnaldo Santos
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4/11/2014 07:33:00 da manhã
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Arnaldo Santos
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Negação
nesta morte a que me dei
não há nada de permeio:
nem angústia nem saudade.
só uma tristeza vazia,
funda, bravia e sombria
que nem sequer é verdade…
o que em mim há de humano
já não respira, nem sente.
semeada ao abandono
não sou raiz, nem flor e
nem semente…
Amélia Veiga
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4/09/2014 07:24:00 da manhã
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Amélia Veiga
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Desfile de sombras
por milhentos caminhos
do meu desejo
passam sombras a tactear o nada;
vão
esforçadas na incerteza
por abraçar
os pontos de interrogação da existência.
atravessam-me
arrastando
à laia de glória
grilhetas e cadeias
com estúpidos sorrisos.
são os homens
que chegaram
e se não acharam
e os angustiados
que se ultrapassaram na vida
e se perderam na confusão;
e os que estão vindo
titubeantes
para este mundo
desconhecido dos que já chegaram
passam por mim
e eu sigo-os através de mim.
lá vamos nós!
as sombras sem querer
com os sentidos anestesiados
como a praia que quer ser onda
alar-se em vida
na imensidade
sentir no peito
a violência das quilhas dos navios
recolher a angústia
e os últimos suspiros dos náufragos
e ficou apenas praia
a sorver ondas
e a contemplar estática
o movimento de além.
as sombras
que se esvaíram no tempo
deixaram-me
esta ânsia
e o eco múltiplo
do tilintar das suas cadeias;
às que hão-de vir
mostrarei essas cadeias quebradas
e com elas repartirei
o meu desejo de ser onda
neste desfile dos tristes
que se perdem.
seguem
rojando-se em esperanças
interrogando à morte
o que é a vida
elas vão longe
ainda vêm longe
e eu sigo-me através de mim.
Agostinho Neto
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4/07/2014 07:23:00 da manhã
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Agostinho Neto
domingo, 6 de abril de 2014
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4/06/2014 07:49:00 da manhã
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sexta-feira, 4 de abril de 2014
Kalahári
flor pálida dos trópicos, ó flor
de chama, com pétalas de lume...
flor gentil do jardim dum grande amor,
que tem o clima estranho do ciúme!
tens a beleza dos desertos quentes
e a tristeza anémica do sul,
filha do kalahári,
miragem do deserto
de areias de oiro,
reflectindo
o céu azul
enamorado de ti...
deserto e céu enamorados
e perseguindo
teu corpo de sonho, a despertar!
filha do kalahári,
que tentação a tua...
és linda e triste,
como à noite a branca lua!
ó rainha do deserto,
que sepulta um morto mar,
talvez tu sejas de perto
a sombra de quem morreu,
a alma de quem sofreu,
há mil anos, nesse mar,
e o milagre do amor,
quebrando o túmulo das águas,
fizesse ressuscitar!
Tomaz Vieira da Cruz
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4/04/2014 07:22:00 da manhã
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Tomaz Vieira da Cruz
quarta-feira, 2 de abril de 2014
O leite
meu seio
secou do seu leite
na sétima lua
não posso molhar o chão
os monas
nem o capim.
a catana que deixaste sem fio
ficou viva nas minhas mãos
ganhou bainha
na pele do meu peito
do lado do coração.
Paula Tavares
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4/02/2014 07:50:00 da manhã
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Paula Tavares
segunda-feira, 31 de março de 2014
Infâncias
gosto de mãos rupestres
- de infâncias,
de me dobrar e tombar
em risos e estigas que a minha rua já não tem.
chorar - escrevendo um livro depois apagado.
rir - lendo memórias apagadas.
a sujidade da infância tem um cheiro
de barro
e trepadeiras poeirentas.
quando me sujo de infâncias
espirro
um sardão enorme
- e um gato dançado
pelo tiro da minha pressão-de-ar.
não quero apenas carícias
nas cores desse sardão ensolarado.
sujo de infância
quero pôr pedido-desculpa
na vida do gato vesgo...
Ondjaki
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3/31/2014 07:29:00 da manhã
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Ondjaki
domingo, 30 de março de 2014
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3/30/2014 07:32:00 da manhã
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