sexta-feira, 4 de abril de 2014

Kalahári

flor pálida dos trópicos, ó flor
de chama, com pétalas de lume...
flor gentil do jardim dum grande amor,
que tem o clima estranho do ciúme!

tens a beleza dos desertos quentes
e a tristeza anémica do sul,
filha do kalahári,
miragem do deserto
de areias de oiro,
reflectindo
o céu azul
enamorado de ti...

deserto e céu enamorados
e perseguindo
teu corpo de sonho, a despertar!

filha do kalahári,
que tentação a tua...
és linda e triste,
como à noite a branca lua!

ó rainha do deserto,
que sepulta um morto mar,
talvez tu sejas de perto
a sombra de quem morreu,
a alma de quem sofreu,
há mil anos, nesse mar, 
e o milagre do amor,
quebrando o túmulo das águas,
fizesse ressuscitar!

Tomaz Vieira da Cruz

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