segunda-feira, 31 de março de 2014

Infâncias

gosto de mãos rupestres
- de infâncias,
de me dobrar e tombar
em risos e estigas que a minha rua já não tem.
chorar - escrevendo um livro depois apagado.
rir - lendo memórias apagadas.

a sujidade da infância tem um cheiro
de barro
e trepadeiras poeirentas.
quando me sujo de infâncias
espirro
um sardão enorme
- e um gato dançado
pelo tiro da minha pressão-de-ar.

não quero apenas carícias
nas cores desse sardão ensolarado.

sujo de infância
quero pôr pedido-desculpa
na vida do gato vesgo...

Ondjaki


1 comentário:

Francisco. Luamba disse...

Introduza o seu comentário...o que que o autor quer dizer neste texto