quarta-feira, 12 de março de 2014

Drama

o drama é bem maior do que supunha:
é o drama das raízes arrancadas
e dos sonhos esquecidos
pela força não do tempo!

ai o menino de olhos muito abertos
a quem um pai humano segredou
paragens impossíveis de alcançar!

ai o púbere menino que sonhou
por amante a donzela de olhos doces
de meigas falas leves imprecisas
que tinha sempre um carro à porta do colégio!

ai dele! o  pequeno sonhador
que poderia morrer inda menino
os sonhos na mão intactos e o destino
debaixo das longas pálpebras guardado!

ai dele que abriu os olhos e que viu:
seu castelo de poeta; um quarto sem janelas
a cama sem lençóis e num caixote
um monte de papéis cheios de sonhos!

ai dele, que abriu os olhos e se viu:
pobre criança triste, abandonada
mendigando na rua protecções!
ai dele:
antes nunca abrisse os olhos!

Mário António

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