sexta-feira, 21 de março de 2014

Adivinhação

os leopardos cheiram o medo e as velhas
mastigam com as gengivas afiadas
o teu nome. esperam pela noite
de olhos acesos como tochas
enquanto se passeia no arvoredo
uma sombra desassossegada, como o frio
que te arranha a pele. ofereces

palavras mágicas que se soltam no ar
como rolos de fumo
e murmuras estórias de lugares que desconheces.

mas não fales com voz trémula
e dança devagar à volta dos tições da fogueira
até que se ilumine sob os teus pés o caminho
que os mabecos não percorreram. depois

ouvirás o cantar dos pássaros
sobre os lívidos embondeiros

ou então

dos ramos penderão pela cauda
ratazanas de silêncio...

Jorge Arrimar

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