segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Luar na Ingombota

lágrimas de tinta
chora a minha pena
a minha dor de contar...

havia luar, luar,
e o luar nos denunciou,
quando beijei a cruz do teu corpo
e a tua boca exangue,
lá ao pé da trepadeira, aquela mais florida,
que ao luar era uma fogueira de sangue...

não sei se foi amor o que senti
naquela noite, a primeira,
mas eu gostava de ti,
gostava, porque sofri,
e passei a encontrar-te
lá ao pé da trepadeira...

até que um dia
passou uma conversa na ingombota
que falava de nós dois;
e tu, ó fula trigueira,
oásis do areal,
nunca mais...

nunca mais ao pé da trepadeira
beijei a cruz do teu corpo,
quando os teus braços se abriam
para me abraçar...
quando os teus braços se abriam
como uma cruz no altar.


uma conversa passou
que falava de mim, de ti, do nosso amor
e de mentiras irreais...

uma conversa passou na ingombota

- e nunca mais!

Tomaz Vieira da Cruz



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