quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cravos da verdade

que importam as dores duma verdade
sonho-realidade
e a tranca da porta
cravada nos sonhos
e desenhos
que arquitectamos em noite farta?

que importa afinal o ruído inconfesso
nos teus passos esquivos
e furtivos
a ornamentarem horizontes
e fontes
dum qualquer outro verso?

dorido escuto no silêncio das estrelas
o cântico das promessas
que cantaram nossas águas
em noites mornas de conversas
e luas
num ritual de whisky e velas!

que importam os cravos da verdade
e espinhos da saudade?
estacionei numa noite de luar
e astros a sonhar
estacionei falas mansas
e saboreei tuas promessas!

importa a distância no teu olhar?
cruzei as ondas do mar
mergulhei fundo
vasculhei nosso mundo
no teu olhar perdido
vasculhei nosso mundo num coral escondido!

importa tua mala arrumada
e vazia de promessas
a cruzar a estrada
e embalar novas pressas?
importa? sou sono dum tempo distante
e me assentei no cimo da nascente!

Décio Bettencourt Mateus

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