sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Amanhecer na Catumbela

ao joão Vilanova
- ao nosso reencontro

kukiou o dia
no canto de um passarinho do muxitu
ouvi
e sem pressa
como quem sonha inda

vi
no katumbela rio-sacarino
minha mangonha
canoa nas águas lentas
a sensação
de nenhum tempo
estar

e olhei a planície           o vale
lugar onde o canavial é dono
é posse
o seu silêncio
coisas homens
numa canção de abandono

e não ouvi demais
que o canto da madrugada
tinha a voz murmúrio de kaxexe

apenas e 
lentamente
renascia em mim um novo sono

então com de repente
despertei

Arnaldo Santos

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