sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A flor da chuva

... e a flor da chuva no capim
tem mais perfume

abertas bem abertas estão as mãos
para abraçar esta manhã sem nuvens

ontem (não importa já o pôr do sol nas buganvílias)
ontem (murchas estão agora as flores
das coisas que eram coisas nada mais)
ontem havia medo até no caminhar das rolas sobre a areia.

a poesia de hoje é a voz do povo
todo o mundo      o mundo até de algum silêncio persistente
quer romper a mancha que da noite inda nos fala.

oh admirável sangue a pulsar em cada estrela
o sol é negro e ilumina
a imensidão deste perfume
que nos traz a flor da chuva

o sol é negro e brilha dos vulcões
de cada peito independente.

madrugada de fevereiro.

sou angolano!

Costa Andrade

Sem comentários: