segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O meu coração batuca

meu coração batuca ao ritmo e som
das marimbas, quingufos e quissanges.
(o batuque nasceu comigo, o ser me invade,
e sinto-o no meu sangue,
desde essa hora,
no movimento inicial da minha liberdade,
no canto com que saudei a terra, a humanidade.)
dentro da minha alma canta e chora
todo o grito dos muimbos africanos.
o fogo da queimada no capim
é a febre que me avassala,
quando o teu corpo e o meu requebram na sanzala,
onde, uma noite, ainda monandengues,
fizemos bailar o amor.

neste mesmo instante, na europa longe,
nos salões requintados de londres,
de roma, de paris, de madrid ou lisboa,
grupos de jovens, dançando e cantando,
disfarçados, estão macaqueando
a nossa batucada que no mundo ressoa.

eles cantam e dançam
- movimento e alarido,
vozes e pernas...
mas nós temos na carne e na alma,
desde o primeiro gesto e o primeiro vagido,
o ritmo e o som deste batuque, 
e a voz de áfrica eterna.

Geraldo Bessa Victor

1 comentário:

Majo disse...

Um poema forte, intenso e vibrante como um poderoso batuque africano.