sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Partida para o contrato

o rosto retrata a alma
amarfanhada pelo sofrimento

nesta hora de pranto
vespertina e ensanguentada
manuel
o seu amor
partiu para s. tomé
para lá do mar

até quando?

além no horizonte repentinos
o sol e o barco
se afogam
no mar
escurecendo
o céu escurecendo a terra
e a alma da mulher

não há luz
não há estrelas no céu escuro
tudo na terra é sombra

não há luz 
não há norte na alma da mulher

negrura
só negrura...


Agostinho Neto

1 comentário:

Majo disse...

Memórias pungentes de um tempo difícil e dorido, em poesia bela e tocante.

Ainda que na memória de gerações presentes, torna-se urgente celebrar e cantar em versos sublimes, o júbilo da Liberdade.

Cordiais saudações.