quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Insónia

I
... e se alguma vez pudesse adivinhar
na firmeza do negar-me que me imponho
não te detenhas um minuto
para ver-me pensar            linha de horizonte.

em mim nasceu o que não pode ser vivido
porque eu sou o resultado de impossíveis
a distância maior
entre as linhas tão suaves que 
sendo da palma da tua mão
são minhas que as vivo          quando vivo.

II
não há vendaval que possa arrancar estas raízes
 loucas
não há noite de luar que possa comover estas musgosas insónias 
loucas
não há força que destrua esta violência de envolver-me d'impossíveis 
loucos
não há rochedo que possa esmagar esta frágil violeta
louca
não há carinho que dulcifique esta sede de apagar-me
louco.
... em mim
estão contidos todos os granitos do mundo
e este amor              louco
tão louco
que apenas é vencido
tal vida que a morte procurasse
ao adivinhar-te triste nas amêndoas dos teus olhos.

Costa Andrade

1 comentário:

Majo disse...

Poesia forte e bela, inspirada em tempos difíceis de opções, luta e renúncia.