sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

De mãos vazias

as mãos trago-as vazias
só nos olhos conservo o sonho.

e no íntimo
guardo recordações amargas
do género dito humano.

as mãos trago-as vazias
mas volto rico de presentes
para todos vós, camaradas.

minha bagagem de escravo forro,
ei-la:
um punhado de folhas soltas
contendo meus versos tristes
sabendo a fome e maresia.

as mãos trago-as vazias
e minha bagagem são só versos tristes...

mas para vós, camaradas
trago um peito aberto
para as dores do nosso sofrer
trago os braços abertos 
para a solidariedade dum abraço.

volto de mãos vazias
de mãos vazias sim, camaradas
mas nos olhos conservo o sonho.

Jofre Rocha

1 comentário:

Majo disse...


Infelizmente este clima de partilha e igualdade ficou apenas no sonho.