segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Imbondeiro

fantasma alerta e só na terra antiga,
é monstro do luar, enraivecido,
tão apressado e louco, que fustiga
pelas noites, seu ventre adormecido,

com estertores de ramos em abraços
vitoriosos num chão erodido...
e de dia, também se deixa, a espaços,
ser o insólito grave consentido

pelo olhar mole, e, lento, sem idade,
zunindo ao sol, decola para o céu
sua árida tristeza igual à minha...

talvez o seu destino fosse o meu,
não me fôra a memória que caminha
e árdua me vencerá na imensidade!...

António Cardoso

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