segunda-feira, 11 de novembro de 2013

E os homens da terra...

e os homens da terra
sentaram-se! frutos silvestres
emprestaram sabedoria e sombra 
poeiras campestres
abençoaram papeladas
e acordos nos matos das picadas!

um vento a soprar agreste
as terras do leste
falou-me d' homens sentados
em troncos e pedras
a falarem acordos e palavras
e obuses de canhões silenciados!

a taça do sangue das armas
entornou-se! batuques e lágrimas
das gentes magricelas
a espreitar homens da terra
sentados, a falarem de paz em palavra
e sonhos e acordos d' estrelas!

a tumba dos homens apagados
em camuflados e botas
aplaudiram palmas
kazumbis e almas
dançaram alegria na matas
e homens sentaram pedras d'acordos!

e as patentes da terra
conversaram! calaram-se ruídos
e fuzis d' homens fardados
a barulhar palavras e guerras
conversam os homens nas pedras
e nos troncos dos acordos!

e os homens da terra conversaram!

Décio Bettencourt Mateus


1 comentário:

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Este poema é de uma beleza que ultrapassa as marcas do tempo. E na sua beleza se acoita uma dor e uma esperanca!!
Kandandu