quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Poemas para um tocador de quissanje

I

leio nos teus olhos
a minha infância
como quem olha um retrato
envelhecido e mudo...

os teus olhos parados
claros de luas passadas
não são mais que pedras frias
onde perpassam cacimbos...

... no entanto leio neles
todo este mundo querido
de mistérios
asombrações
e receios
claras manhãs de Janeiro
calor de todos os jangos
verdes capins sorrindo...

falam de noites da vida
vidas da vida falando
na linguagem de um quissanje.

II

eras o maior
dos tocadores de quissanje...

vinham gentes
e paravam...
ao luar de frios ventos
de jangos mudos
e as mulembas
não embalavam
as folhas...

na longa noite do tempo
inda se escutam e choram
teus acordes de quissanje
mensagens de além perdido.

Costa Andrade

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