quarta-feira, 29 de maio de 2013

Vinhas de longe...

vinhas de longe e cantavas:
"busco-te, sou tua."
- eu não acreditava
nessa voz milagrosa feita de sol e mar,
de terra e lua.

(os mais velhos ralhavam, ciumentos,
que ainda éramos monandengues,
para podermos lançar aos ventos
o nosso poema de amor.)

chegavas e dizias,
com toda a energia e encanto do teu ser
(menina-mulher,
anunciando de madrugada
a criação dos dias):
"toma-me, sou tua..."
- o meu corpo, queimado pelo fogo das queimadas,
não soube receber
a tua alma tão lírica e tão nua,
levemente rosada.

ando perdido entre tudo e nada,
atrás da voz que fugia (foge):
"eu busco-te... busco..."
(o antigo sol da manhã e lusco-fusco.)

tento prender no meu braço
o eco da tua imagem que se esfuma ao longe:
"toma-me... tua..."

a noite é imensa, negra, sem lua.
só eu, só eu, no espaço!

Geraldo Bessa victor

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