sexta-feira, 31 de maio de 2013

A salga

na salga
à tona do seu mar de secura
golpes brancos de sol
esvaziam as coisas dos seus núcleos

na salga
as cores mortas nos ossos
reduzem também os homens
a uma agonia de escamas

na salga
sono do kisalale sobre os tectos
não chama sonhos
tem o tempo
de sua fibra insegura

na salga
faz sede
o sangue seca
e as escamas cobrem os homens
ao sol

e é nesse lugar
na cal dos ossos
no seu chão de sal
que as crianças brincam com a vida.

enterram os rostos na areia
e depois riem
com os olhos húmidos.

Arnaldo Santos

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