segunda-feira, 22 de abril de 2013

Para depois

não vale a pena adormecer o mar
que nós amamos por estar acordado
que a travessia é sempre atravessar
as vagas mais dispersas deste tempo
sempre para depois e mais alado.

e as conchas que encontramos quando brilham
serão as conchas do amanhã de ver
ou serão apenas o museu das coisas
do que será o ontem do hoje do nosso querer?

sorri assim com dentes de uma fruta
amadurecida num verso que não faço
tragando amor o nosso grande espaço
de amar que mais além
de nós o que é possível
este sabor de mar em gerações.
percorre amor geográfico desenho
da terra decifrada entre nós dois
tua palavra de um tempo que detenho
de amar o tempo sempre p'ra depois.

Manuel Rui

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