quarta-feira, 24 de abril de 2013

O canto da noite

por que bebes o meu vinho, amigo
como se fosse o último
um vinho que te amarga a boca e perfuma as vestes
enquanto um coração de sinos toca
a descompasso, com palavras amargas
que te povoam a garganta

nas mãos desfaz-se o copo
vício antigo
de amassar a massa de deus
soprar os ventos
despertar o espírito do vinho
plantar a despedida
sobre o canto da noite.

Paula Tavares

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