sexta-feira, 29 de março de 2013

Poemas ao sol

Poema III



se era porque
as cores se acendessem
dos seus morros e verdes dos capins

ou porque
a claridade berridasse as sombras
das suas covas de mistérios

se era porque
ardesse um clarão
nos brados dos homens no trabalho

ou porque
nos olhos brilhassem
o relâmpago da chuva nova sementeira

o sol
no golpe a pique do meio-dia
é fogueira
é luz pura
como um silêncio
que a todos nos queima
e reduz
os rostos nos traços duros da vida
e os músculos nos troncos nus
de cada um nos seus sonhos.

se era porque
de mim nascesse
um sol de força
ou porque
de mim se ateasse
o sol do tempo
eu também me consumo
no desejo de ser semente e ser raiz.
eu também.

Arnaldo Santos

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