segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Poema


I
amanhã,
quando morrer,
eu quero ser enterrado
virado para oriente;
de pé,
braços cruzados
à espera que nasça o sol!

quer seja enterro falado
(um enterro burguês a valer),
quer seja de pobre-diabo
eu quero ficar assim:
de pé,
braços cruzados
à espera que nasça o sol!

II
amanhã,
vai nascer um sol maduro
por cima do meu telhado
de menino rico com tudo.
amanhã,
vai nascer um sol maduro
por cima do capim podre
dos meninos pobres sem nada.

depois,
amanhã,
(naquele dia de sol maduro
como goiaba que o morcego quer morder)
o menino rico que mora dentro de mim
mais todos os meninos pobres
que moram dentro do mundo
vamos fazer uma roda grande
e brincar novamente
as brincadeiras do antigamente.

António Cardoso

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