segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cântico fúnebre


de longe,
onde os eumbos
são gargantas gemendo
feitas cavernas do medo…
onde mãos estranhas
tocam tambores
de mutambos numerosos…
onde os enfeitiçadores iniciam
a dança subterrânea
dos mortos-vivos
enquanto dos matos
se elevam odores putrefactos,
eu sinto já
o meu sonho-súplica
desventrado, tingido
com o sangue mártir
dos inocentes…
… e a esperança-sémen
se derramando
no sexo estéril
das longas noites de cacimbo…

Jorge Arrimar

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