quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Poema

junto daquele lugar
esmagaram uma criança.

uma mulher arrepelada
no chão jazia
em alta queixa
no chão carpia.
caída a quinda
caídos os brados
caíam lágrimas e lamentos.

- ai mon'ami, mon'ami...!

junto daquele lugar
tinha morrido uma criança.

soaram passos
vieram gentes
homens, mulheres
surgiram braços,
num burburinho
num murmurar de vozes quentes:
- o que fora?
- que acontecera?
- tinha sido agora?
- e quem morrera?

- anh! foi um pretito...

o filho de fraca macuma
de condição triste
olhar ingrato
que a horas escuras
incertas
cegas
tinha atravessado uma ruela
junto, daquele lugar
tinha morrido uma criança.

Arnaldo Santos

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