sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Rebita


mulata de minha alma
batuque dos meus sentidos,
meus nervos encandecidos
vibram por ti, sem ter calma.

por isso vou à rebita,
quase triste e indeciso,
a queimar minha desdita
nas chamas do teu sorriso.

e, triste, assim, vou dançar,
vou dançar e vou beber
o vinho do teu olhar,
que me faz entontecer.

ouvindo, longe, tocar
o quissange do gentio,
que vive, além no palmar,
onde corre o verde rio!

e depois adormecer
na tua esteira de prata,
onde quero, enfim, morrer,
oh minha linda mulata.

mulata da minha alma,
batuque dos meus sentidos…

por isso vou à rebita,
quase triste e indeciso,
a queimar minha desdita
nas chamas do teu sorriso.

Tomaz Vieira da Cruz

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