domingo, 16 de dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Rebita


mulata de minha alma
batuque dos meus sentidos,
meus nervos encandecidos
vibram por ti, sem ter calma.

por isso vou à rebita,
quase triste e indeciso,
a queimar minha desdita
nas chamas do teu sorriso.

e, triste, assim, vou dançar,
vou dançar e vou beber
o vinho do teu olhar,
que me faz entontecer.

ouvindo, longe, tocar
o quissange do gentio,
que vive, além no palmar,
onde corre o verde rio!

e depois adormecer
na tua esteira de prata,
onde quero, enfim, morrer,
oh minha linda mulata.

mulata da minha alma,
batuque dos meus sentidos…

por isso vou à rebita,
quase triste e indeciso,
a queimar minha desdita
nas chamas do teu sorriso.

Tomaz Vieira da Cruz

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Embriaguez

eu aqui erecto
de pernas abertas
firmes
a espreitar um infinito
girando sob mim
eu rhodes dos tempos
a dedilhar personalidades
na firmeza de meus pés
estáticos
- a terra girante
- os homens girantes
- a natureza girante
tudo em meu redor
girante
eu escravo do tempo
- amarrado ao tempo
- imolado no tempo
a dedilhar vinganças
na raiva do impotente

minhas pretensões
movem-se rodopiantes
envenenadas
- de amor
- de ódio
indiferente a tudo
preso ao nada
no despertar das horas
do sono de fadiga
jingido à realidade
eu

Ruy Burity da Silva

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A voz da terra

I
a poesia nasce como os rios
e as pessoas
as avenidas
 e o mar
porque a poesia vive em tudo
e em tudo se confunde 
com o sonho.

II
a rocha o vento a ave
deslumbraram-se
do seio
a terra transformou-se em homens...

e vieram braços
e vieram homens
a terra transformou-se em pão...

e mais homens
e mais braços
e anseios
a terra transformou-se em luz...

e luz
e homens
e braços
até que a terra se transforme
na terra dos seus filhos.

Costa Andrade

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Semba sambila

meninos
deste dia gordo                     laranja luta pintada
                                                    pascem
                                                    os campos o sol o gado
nas horas
                                              komba-ò-ditókua
                                               sambilam                sembas da samba
                                               matambas do reino
                                                                                       nos passos
e as vozes das vozes nossas
marimba
                                              e xingufo
outra vez
                                             na nossa voz


Jorge Macedo
                        
       



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Liber(tini)dade

por ditos nomes pregas gritos
por tanta cousa roubada e outra
tanta dada por fomes cisternas
ternas negas por tábuas truques

terços tipos por templos truzes
falos facas natas pedras pitos
sonhos sombras trombas mitos
por trapos túneis cravos cratas

cravas putas favos trutas o todo
a parte o joelho a arte por pouco
por tudo tremes nadas gemes zás:
por onde cú meça a liberdade.

David Mestre

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Oh silêncio ebúrneo

oh silêncio ebúrneo
por entre noites de brocado

as manhãs são de prata
e o sapo azul
não come orvalho

por entre as curvas entre-curvas e descurvas do caxixe
toda a geografia se perde
e as balas do inimigo não têm olhos

as manhãs são de prata
e o cuco solitário
não acende fogueiras

por entre noites de brocado
oh silêncio ebúrneo

Arlindo Barbeitos

domingo, 2 de dezembro de 2012