sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ouvindo Ella Fitzgerald


noite calma e pacífica. Tão velha
de milénios, porém sempre nova e única.
certamente que lá fora, na túnica
inconsútil, rebrilha uma centelha

da minha insólita estrela. (é tão fumo
já, na memória fria…). Aqui, joga-se,
enquanto, Ella, pastosa e doce, afoga-se
em nós. É assim, meu caro, teu rumo

na vida. E é bela! Conquistada! A prumo!
com o sol… no horizonte prometido…
e seca a tua fonte? – Sem sentido

seria, se de linfas mortas fosse…
É fervente, acre, com teu sangue e sumo
de fel? – É tua! Por isso te é doce

António Cardoso

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