segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tempo de amar

uma hora breve, uma só, meu amor, e
não importa a morte absurda a rondar,
 não importa, agora,
uma hora breve, uma só, meu amor.

a fome a trair o sol desta cidade,
o clamor em vaga alastrando
não importam, agora. não importa.
não importa o ódio no olhar turvo.
não importa, agora.

uma hora breve, uma só, meu amor, e
não importa a mentira torpe a corroer,
não importa, agora,
uma hora breve, uma só, meu amor.

o inverno longo a negar a colheita:
cinzas, só, o lume apagado,
não importam agora. não importa.
não importa a navalha que se abriu.
não importa, agora.

uma hora breve, uma só, meu amor...
importa, sim, meu amor, importa sim,
agora o que o teu corpo promete
nesta hora breve, a última, meu amor,
antes da noite, finda esta hora breve,
ser
viscoso,
negro, 
dilúvio desesperado!

Tomaz Kim

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