para Alda
um dia
quando voltares,
não mais encontrarás à tua espera
a nossa casinha de adobe
da rua principal.
quando voltares
da europa, irmã,
hás-de ver ainda
como a cidade mudou...
(lembras-te das promessas
que fizemos?)
quando voltares
não mais encontrarás poesia
no quintalão do zé guerra
agora transformado
atravessado
assassinado
por uma avenida transversal.
quando voltares
só terás
como deixaste
o mercado municipal.
não mais o candeeiro
nem a velha lavadeira.
o frederico
esse agora é ointor
do morais pontes.
nem as acácias rubras
hão-de florir
para ti
quando voltares.
"lembras-te da palmeira
do quintal?
foi abaixo com duas machadadas
no tronco..."
um dia
quando voltares,
não mais encontrarás
a benguela que conheceste
menina ainda
e que aprendeste a amar.
o velho joão correia?
já morreu...
quando voltares, afinal,
não mais encontrarás à tua espera
a nossa casinha de adobe
da rua principal.
Ernesto Lara Filho
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