segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Regresso

para Alda

um dia 
quando voltares,
não mais encontrarás à tua espera
a nossa casinha de adobe
da rua principal.

quando voltares 
da europa, irmã,
hás-de ver ainda
como a cidade mudou...

(lembras-te das promessas
que fizemos?)

quando voltares
não mais encontrarás poesia
no quintalão do zé guerra
agora transformado
atravessado
assassinado
por uma avenida transversal.

quando voltares
só terás
como deixaste
o mercado municipal.

não mais o candeeiro 
nem a velha lavadeira.
o frederico
esse agora é ointor
do morais pontes.

nem as acácias rubras
hão-de florir
para ti
quando voltares.

"lembras-te da palmeira
do quintal?
foi abaixo com duas machadadas
no tronco..."

um dia
quando voltares,
não mais encontrarás 
a benguela que conheceste
menina ainda
e que aprendeste a amar.

o velho joão correia?
já morreu...

quando voltares, afinal,
não mais encontrarás à tua espera
a nossa casinha de adobe
da rua principal.

Ernesto Lara Filho

Sem comentários: