quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Poema do meu dia

no frontispício
porta aberta para o escuro
da noite sem noite
do meu dia

outra que passou
sorrindo uma boca 
de dentes feitos raros
nas gengivas doentes
da cárie dos dentes gastos

estrangeiro na forma
exótico nas sensações
viam em mim o mundo
- estranho e longuidistante -
do mistério dos trópicos

sorri um sorriso enleado
e tímido na exteriorização
fitei o solo dos meus passos
buscando libertação
na sisudez do alheamento

senti nos nervos tensos
o poema do meu dia
escrito nos cerrados lábios
dos pensamentos em desencontro
nas mentes que me fitam

Ruy Burity da Silva

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