sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Bailundos

por esses longos caminhos
os desertos povoando,
passam negras comitivas
de bailundos...

descalços como jesus,
e os seus corpos mal cobertos,
são negras sombras na sombra,
que se eleva escuramente,
sem um carinho de luz.

a noite é um borrão de tinta preta!

mas a triste comitiva
pisando bem o caminho,
- estreito por ser tão longo
como a vida dessas gentes,
vai seguindo o seu destino
cantarolando nocturnos,
de baladas inocentes.

e quando o sol acordar
em seu berço oriental
as comitivas andando,
por carpetes de capim,
que eu não sei onde vão dar,
que eu não sei se têm fim,
vencendo, altivamente, a luta forte
desta vida de ilusão
procuram inutilmente,
mais longe, sempre mais longe,
a terra da promissão.

... ó mensageiros tristes da saudade
que trago dentro de mim:
esse caminho é eterno
e a minha dor não tem fim!

haveis de caminhar, sempre caminhar
que nunca terá fim o vosso inferno!

- não existe humanidade
e o mundo foi sempre assim!

Tomaz Vieira da Cruz

2 comentários:

Geraldo disse...

Belo. Encantador. Profundo. Remete-nos a muitas reflexões. Parabéns ao autor. Tenho acompanhado a publicação dos poemas e me faço feliz cada dia ao apreciá-las. Grande abraço.

Ant P disse...

Bonito! As palavras, mesmo quando tristes, podem dar-nos beleza, aconchego à alma...
Gostaria de partilhar o endereço de um blogue acabado de criar e inteiramente dedicado à promoção da língua portuguesa. No http://portuguesemforma.blogspot.pt, para além de ferramentas úteis (como dicionários, enciclopédias e glossários), disponibilizo ainda a análise de situações problemáticas ou geradoras de dúvidas nos utentes da nossa língua. Eis a questão de hoje: glicemia ou glicémia?
Um abraço lusófono desde Setúbal.
Prof. António Pereira