quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Amor proíbido

foi naquele cemitério perdido
do mundo, onde as areias se cobriam
de túmulos decorados com jóias
de pedra, que te ouvi chegar com a voz
do deserto, áspera como o sangue ressequido.
também te encontrei
naquele descampado animista, onde
se viam panos e panelas
sobre as campas.

um espectro invadiu os teus olhos
quando o amor dançava sobre a cova
dos costumes velhos. no teu pescoço,
nos pulsos e nos joelhos, viam-se cordões
de missanga nova. tinham-te dito

que experimentar o doce daquele leito
seria perigoso pela enxurrada, mas tinhas
a força do amor a empurrar-te para o lugar
de outro peito. e no madrugar lento

dum outro dia, percebemos que a onça
emprestara o seu hálito ao vento.

Jorge Arrimar

1 comentário:

António Castanheira disse...

Fantástica esta ideia de dar voz aos poetas...

Um abraço,
António Castanheira