segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Estrangeiro

estrangeiro,
teus passos alargam o fosso
em volta do cercado da casa antiga
está aceso o fogo
nos sítios do costume
e tu moves-te por dentro do frio

estrangeiro,
o pano branco na tua cabeça
annncia a morte
de minha gémea
 meu irmão meu noivo
o filho muito amado de sua mãe
o que portava no peito
o colar de missangas
e fios do meu cabelo

estrangeiro,
a tua voz
é um ruído surdo
um murmúrio atento

estrangeiro, 
com a tua presença
a minha dança não correu
a manteiga passou
o leite cresceu azedo pelo chão
a vaca mansa de estrela na testa
não entrou no sambo
a bezerra pequena varreu a noite de gritos

estrangeiro
ontem não nasceu ninguém no chumbo
e a lua estava alta e nova
o velho que sofre
não conseguiu morrer

estrangeiro,
afasta de mim
teus passos perdidos
e a maldição.

Paula Tavares

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