sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Paul Eluard


(na sua morte)

onde o poeta não havia já
foi quando em nós se gritou finalmente
que  não estávamos sós…


entre nós e as vossas mãos caídas,
- ele! –
por quem os firmamentos
se fizeram de repente
lúcidos como ventos…
por quem as estrelas cresceram
belas e eternas,
no horizonte das horas,
como luas antigas,
vestindo os esqueletos
de humanas formas resumidas…
ele,
por quem, só as crianças
carregaram espingardas
nos jogos brinquedos de guerra,
e as trincheiras
permaneceram para sempre adormecidas
sobre os francos estivais
da terra…
ele,
por quem, nunca mais
estaremos sós…
e buscando-o ainda
ao longo dos longos dias inteiros,
só sabemos falar de amor,
aos companheiros…

Alda Lara

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