segunda-feira, 9 de julho de 2012

A uma menina

Dedicado ao IImº Sr F. T. Lobo Júnior

como és bela, criancinha,
no teu dormir inocente,
és tão meiga, és tão lindinha
nesse arfar tão docemente!
semelhas às linda flor
no albor,
com primor,
entreabrindo brandamente:
és tão bela,
qual estrela
a brilhar no céu - fulgente!

és qual límpida corrente,
mimosa e bela e pura,
que rebenta docemente
de um rochedo em grande altura.
és o orvalho matutino
gotejando,
rorejando,
sobre viçosa verdura:
és a aragem
na folhagem
bafejando-a com doçura.

és farol, és doce guia,
no teu dormir inocente,
de quem à meiga poesia
se há votado e não desmente
a verdade e melodia
que na lira
só respira,
só respira vagamente.
que poeta, 
qual profeta,
canta da alma, e nunca mente.

és singela, alva pombinha
repousando em tronco anoso,
quando a sós, e coitadinha
no seu ninho tão mimoso
outra pomba a acarinha
com candura,
com doçura,
em seu sono de almo gozo:
és como ela,
meiga e bela
neste encanto primoroso.

és o suspiro da vaga
no seu longínquo morrer,
que lentamente divaga
na encosta que vai bater.
és a saudade da vida
tão querida
já volvida,
já volvida em meu viver.
és esp'rança
de bonança
de quem da vida descrer.

tu és tudo, e mais ainda
de teus pais és doce encanto,
que imprimiram em face linda
inocência em brilho tanto,
que em mago e doce enleio,
de amor cheio,
casto seio
recebe o meigo pranto,
quando choras
e descoras,
envolta em cerúleo manto.

cresce, cresce, flor mimosa,
nesse teu desabrochar;
nunca a vida desditosa
em ti possa penetrar,
nunca os rigores da sorte
desesp'rada,
malfadada,
possa bárbara mirrar
essa flor
de primor
que espontânea se pousou
na minha lira de amor,
que este canto inspirou!

Maia Ferreira


Sem comentários: