quarta-feira, 11 de julho de 2012

Infância

oh! como estão longe
as manhãs da infância!...
o céu desvairado de perfume e azul
e a "menina-princesa"
no terraço,
com a alma acesa
e embriagada de perfume e azul...

as mãos! - borboletas
inquietas
desventrando mistérios,
espargindo milagres e luar - 
mãos de menina
no destino de esperar...
esperar...

"moura-encantada"
no fascínio do próprio sonho
impreciso e flutuante...
menina enfeitiçada 
de asas transparentes
a extravasar ternura
e amor,
na incessante procura
do paraíso-maior

a menina que eu fui!
distante... distante...


já nada tem importância!

já nada tem importância
para a ave que voou
perdeu penas na distância
e um caçador alvejou...

já nada tem importância!

e na parede da vida
o passado que rolou
é uma "natureza-morta"
dum pintor que se matou...



Amélia Veiga

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