segunda-feira, 4 de junho de 2012

O feitiço do batuque

sinto o som do batuque nos meus ossos,
o ritmo do batuque no meu sangue.
é a voz da marimba e do quissange,
que vibra e plange dentro de minh'alma,
- e meus sonhos, já mortos, já destroços,
ressuscitam, povoando a noite calma.

tenho na minha voz ardente o grito
desses gritos febris das batucadas,
nas noites em que o fogo das queimadas
parece caminhar para o infinito...
e meus versos são feitos desse canto,
que o vento vai cantando, em riso e pranto,
quando o batuque avança desflorando
o silêncio de virgens madrugadas.

músicos negros, colossos,
e negras bailarinas, sensuais,
tocam e dançam, cantando,
agitando meus ímpetos carnais.
o batuque ressoa-me nos ossos,
seu ritmo louco no meu sangue vibra,
vibra-me nas entranhas, fibra e fibra,
sinto em mim o batuque penetrando
- e já sou possuído de magia!

a batucada tem feitiço eterno.
o batuque de dor e de alegria,
que sinto no meu ser, dentro de mim,
nunca mais terá fim,
nem mesmo além do céu e além do inferno!

Geraldo Bessa Victor





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