quarta-feira, 2 de maio de 2012

À saudade

inda choro essa noite medonha
longa noite de má despedida!
teu amor me deixas e nos braços,
nos teus braços levaste-me a vida!

A. Gonçalves Dias


não sei que mão de ferro agudo alçada
com força extrema me comprime o peito,
não sei que dor vigente me lacera
as fibras da alma.

escuto os homens que julgava amigos -
envoltos no prazer do mundo ingrato -
mostro-lhes minha dor - a causa inquiro -
voltam-me o rosto!

escuto as aves no albor do dia
em verdes campos cantando amores;
contemplam de amargura o meu sorriso
e ávidas fogem!

então procuro as grimpas das montanhas
onde outrora meus ecos ressoavam
vibrados pela lira em que tangia
cânticos suaves!

e meus ecos não são repercutidos
agora que a saudade os vibra na alma
- saudade?! -ai! tu és meu sofrimento
na alma o sinto!...

Maia Ferreira

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