quarta-feira, 23 de maio de 2012

O amor e o futuro

calar
esta linguagem velha que não entendes
(tu és naturalmente de amanhã
como a árvore florida)
e falar-te na linguagem nova do futuro
engrinaldada de flores.

calar
esta saudade velha
e a nostalgia herdada de brancos marinheiros
e de escravos negros
de noite sonhando lua
nos porões dos negreiros.

calar
todo este choro antigo
hoje disfarçado em slow, bolero e blue
(teu sentimento
e esta pressão dorida que não mente:
teus seios contra o meu peito
a tua mão na minha
o calor das tuas coxas
e os teus olhos ardentes...)

calar tudo isso
(tu és naturalmente do futuro
como a árvore florida)
e ensaiar o canto novo
da esperança a realizar.
cantar-te
árvore florida
espera de fruto
antemanhã

nascer do sol em  minha vida.

Mário António


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