segunda-feira, 30 de abril de 2012

Poema de amor

Tambien, como la tierra
yo pertenezco a todos.
no hay una sola gota
de odio en mi pecho. Abiertas
van mis manos
esparciendo las uvas
en el viento

Pablo Neruda

quando eu voltar a ver a luz do sol que me negam
amor
iremos
de paz vestidos
entretecer um sorriso de flores e frutos
abraçados
por caminhos-serpentes ágeis
trepando dos montes às estrelas
e aos sonhos cintilantes
iremos
cantando também, cantando
todas as canções que sabemos e não sabemos.

quando eu voltar a ver a luz do sol que me negam
amor
iremos
pois iremos breves chorar
nas sepulturas sem fim dos homens sem fim
que partiram assim
sem óbito nem combaditocua

sem esperança da luz do sol que nos negam

iremos, amor
dizer-lhes
voltei e voltamos
porque nos amamos
e amamos
as sepulturas sem fim dos homens sem fim.

quando eu voltar a ver a luz do sol que me negam
lábaros erguidos:
- a liberdade é fruto da colheita - 
amor
iremos
colher maçarocas e cores
aos mortos ofertar ressurreição e flores
aos vivos a pujança da nossa vida
amor
iremos
desenhar no papel celeste um arco-iris
para nosso filho brincar:
chuva vem chuva vai
senhora da conceição 
chuva pra lavra do pai
manda sol não

iremos, sim, amor iremos
quando eu voltar
- as grilhetas desfeitas - 
e cingidos faremos
a vida irrefragável medrar
na dádiva serena das colheitas
no pipilar dos pássaros maravilhados
no caminhar dos homens regressados
nos hossanas das chuvas na terra renascida
nos confiantes passos da gente decidida
amor.

vestirá a terra fímbria de nova cor
de beijos e sorrisos a vida teceremos
e entre algodoais sem fim
e batuques de alacre festim

iremos
amor.


António Jacinto

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