sexta-feira, 27 de abril de 2012

Como se mede um espaço

como se mede um espaço
que contenha
a bastante dimensão do circular diário,
elíptíco e completo,
do retorno aceite e programado?

de que viagens breves
se acumulam
sucessivas marchas que demandem
emoções despidas de memória?

de quantas descobertas nasce a hora
do encontro de horizontes,
e quantos verdes partilhados bastam
para entender uma estação madura?

de quantos céus se serve a latitude
para pendurar cadências de tarefas,
aferir vigor de passos e escaladas
apenas razoáveis?

quanto de luz há que colher
pela manhã
em destemidos haustos e contracções doridas
para medir,
pairando na distância,
a referência escassa de uma notícia grata?

de que surpresas digeridas verdes,
pilhas de espanto,
serenas guardas,
fermentação nocturna,
se deposita o alvoroço infante
em pasto de certeza a repartir?

de que labor carece o chão azul,
a sólida estrutura mineral,
o diamante antigo e reservado,
para que germine tenro
o grão de malte pálido de aurora?

de que luar se alisa a noite colectiva?

qual o fogo propício à voz festiva?

de quantas mãos se faz um pão de argila?

Ruy Duarte de Carvalho



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