segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O rio

da minha mutopa
saiu um génio do mal
nem grande nem pequeno
um génio
com um machado de dois gumes
e uma moca de pau sangue.

disse-me:
- venho guardar a nascente do teu rio.
levo muito tempo a apagar
os rastos de sangue
que deixa na minha pele.

de noite mistura-me os sonhos
deixa que se veja
à transparência
a luz que o queima por dentro
e me ilumina.

sou eu que teço
a rede onde se deita.

Paula Tavares

1 comentário:

RdN disse...

É o rio em que se aconchegam os dedos. Em que se emaranham os sonhos e se despontam as tardes. Em algumas mergulho em poemas. Aqui encontrei uma onda.