segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Poema assimétrico – xico Bastião

dormindo sob um sol dado à morte
xico bastão sonha… ele é um soldado
e lhe disseram: soldado não sonha, mata!
mas xico bastião sonha…
entre zenza do itombe e ndalatando
há um kimbo à sua espera
e os braços doces de uma mulher
sua lavra massango, milho, mandioca
e no kimbo o riso monandengue do futuro
do fruto que ficou crescendo no ventre
vida da mulher dos braços doces…

xico bastião acorda no sobressalto
de obuses e morteiros e voz que lhe diz:
mata mata mata ou ficas estendido na mata,
a desconseguir a vida, o kimbo, a lavra e…
xico bastião mata para regressar no kimbo
a guerra é peçonha de kinhoka
e o sonho roto se diluindo na voz sem alma
das armas cuspindo fogo: kuta-mate-túbia
kuta-mate-túbia, tututúbia
e os fiapos do seu sonho passam desfeitos
são, agora, um fogo-fátuo (soldado não sonha…):
lavra – larva (e) morte
lavrador – lavra (a) dor
e um desejo de chuva e lágrima no seu rosto
entre zenza do itombe e ndalatando
ou em outro qualquer lugar
há sempre um kimbo à espera
de um lavrador transformado em soldado
e muitas vezes também
os braços doces de uma mulher…

Namibiano Ferreira

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