quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O vazio

acordaste como os primeiros passos do comboio.
pelo vidro do muro viste o medo da madrugada.
mijaste no limiar do primeiro passo.
e quiseste dar passos rápidos

(os homens quando acordam passam em revista
os sonhos da noite.)

quiseste ser o dia em vez de estar no dia.
e não viste a fala dos sonhos.
nem sequer a memória da noite.
num minuto só viste o vazio dos sonhos.
nas gavetas da tua cabeça só existe
o vazio do tambor vazio. agora.

este teu sonho é a tela de dores
que se infiltram nas tuas pernas.
- não deixa crescer os teus lamentos –
no limiar d primeiro passo
faltou passar a mão esquerda
pela paisagem do cabelo.

assim vias o corpo dos teus sonhos.
- não deixa crescer os teus lamentos –
pela próxima noite talvez.as noites
passam como a urina da bexiga.

João Maimona

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