quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Gajaja

fruto pálido, empaludado…
cereja dos trópicos
de cor desmaiada.
luanda:
- onde estão as tuas gajajeiras
que a troco dos seus frutos
pedradas eu lançava,
pedradas que magoavam
- pedradas de criança!
por certo que foram destroçadas,
sepultadas
em teus alicerces
da brito godins
e de todas as ingombotas,
tal como os frondosos cajueiros.
vi hoje uma gajajeira já quase morta.
Havia pedras a seu lado,
areia e cimento
e um buraco longo, rodopiando,
fazendo quadrados,
rectângulos, quadrados…
se a minha fortuna não fosse feita de sonhos,
compraria aquele terreno.
a copa da gajajeira
seria o meu chapéu,
a umbela dos dias quentes
e das noites de luar e de cacimbo.
luanda:
- onde é que estão as nossas gajajeiras?
essas gajajeiras que me davam
as gajajas da minha infância
os frutos da minha vadiagem!
eu atirei pedradas!
mas tu, luanda,
o que fizeste delas?

Tomaz Jorge