quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Praia di coquero djunto di campo

arfam, lenta, lentamente,
os desgrenhados coqueiros,
loucos acenos de gente,
junto ao mar, prisioneiros...

talvez torturadas almas
nas suas camas de chão,
acenem por suas palmas,
aos corpos que partirão...

já viram choros de escravos,
vindos do fundo do mar,
e talvez esses agravos
lhes andem no balouçar...

e de certo contarão
ao vento que lhes soluça,
sua profunda repulsa
de prisioneiros sem pão...

vai o vento em rodopio,
na sua raivosa guerra,
deixar um longo arrepio
na crosta seca da terra...

oh coqueiros de lembrar!
oh coqueiros de esquecer!
quando dos longes do mar
terá fim tanto sofrer1...

António Cardoso