sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Buscando o rumo

I
fui buscar o sol
pela planície ampla
e, na planície, vejo as pegadas
dum povo em êxodo,
que ali passou.

sobre os meus ombros
o sol.
sobre o meu olhar
o firmamento sem fim do sofrimento
que o silêncio do ar pesado
sequestrou.

onde ficou a tua glória,
sol?
se a minha libertação deserta
e o esteio da minha caminhada
gravado pelo chão
também ficou.

ilusão a marcar outra ilusão.

que não vá ninguém e que não fique
com o olhar parado pelo desejo,
mas que não pode, peregrino,
buscar a luz da alma liberta
se ela se apaga no caminho.

que fazer? ah! que fazer!
cruzar os braços e deixar
a fome dos desejos e os cansaços
matarem bem ao fundo a nossa ânsia?

mas deixar assim correr os passos
sem destino e sem rumo?
a que florestas da alma
ignoradas
se conduzem por si os nossos passos?

que imprevistos de sensações
e de desejos
vem beijar o porvir da manhã pura
sem nada acalentarem os nossos braços?

ficar na estrada,
na estrada só, parado,
olhando o giro de outros sóis
sem sentir a asa dilatada
do ar da brisa, da luz, em convulsões.

ah! não, a vida eu amo.
e não, ao próprio sol me dita
no seu rumo.
e vá e avance e caminhe
lançando as sementes do futuro.
- sol que pela noite se perdeu
desponta após a madrugada.

II
só existe
o que amanheceu.
depois é fruto e é semente.
e, a semente de si, já não é nada.
só a semente de novo amanheceu.

subir a planície é a vitória
mas o anseio aqui, já não ficou.

é preciso procurar outro destino
é semente que o fruto em si gerou.

o rumo atingido é outro rumo.
que a vida como sol é que dá vida.

Alexandre Dáskalos