quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

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trago os olhos naufragados
em poentes côr de sangue...

trago os braços embrulhados
numa palma bela e dura,
e nos lábios, a secura,
dos anseios retalhados...

enroladas nos quadris,
cobras mansas que não mordem,
tecem serenos abraços...
e nas mãos, presas com fitas,
azagaias de brinquedo
vão-se fazendo em pedaços...

só nos olhos naufragados
estes poentes de sangue...
só na carne rija e quente,
este desejo de vida!

donde venho, ninguém sabe,
e nem eu sei!

para onde vou, diz a lei
tatuada no meu corpo...

e quando os pés abram sendas,
e os braços se risquem cruzes,
quando nos olhos parados,
que trazemos naufragados
se entornarem novas luzes,

ah! quem souber,
há-de ver
que eu trago a lei
no meu corpo!...

Alda Lara