segunda-feira, 7 de novembro de 2011

É duro de encarar o sol que brilha

é duro de encarar o sol que brilha
e nada pode, a cólera do touro
contra a manada dos areais do rio.
quem recebeu a cauda
a cauda arrastará.
não basta juntar a lenha
para recolher os molhos:
é preciso que a maldade os não desfaça.

sujeito-me a vestir as velhas peles
e olho à volta
atento ao que se passa.
eu sei que há luz e sombra
nuvens e chuva...
mas chegará a minha voz aos vossos pés
como aos da onça o grito da capota?

Guarda a cigarra o seu canto
perante a voz dos tambores.

Ruy Duarte de Carvalho