segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Como se o mar

como se o mar não nos sorrisse imenso
por cada passo de onda um espanto novo
rota de direcções sem nome e sem plano
viagem que fizemos sem ter barco
poemas que escrevemos sobre a areia
na garrafa mais imaginária que se não partiu
nem se perdeu porque vai sempre ter
ao mesmo porto.

como se o mar não nos sorrisse imenso
e nele viessem vagas de outras vagas
depor modificando-se na areia
onde as construções se desmoronam
e levantam.

(saboreando o sal de ti
com a lágrima alegre em onze de novembro
caída sobre as bocas
de tanto amargo dantes)

como se o mar não nos parecesse estranho
por não lançar as mais nervosas ondas
para as praias onde o nosso sangue
é cotação do dólar imperial.
como se o mar de coro inteiro não pudesse
falar com a maior fúria virada a essa terra
para dizer: eeh kamérica! é só pela liberdade
que daquele lado um povo faz e vence a guerra!

Manuel Rui